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Pilates Funcional e Diabetes Mellitus PDF Print E-mail

Pilates Funcional e Diabetes Mellitus

Prof. Esp. Ft. Gabriela Pupo Carneiro

Prof. Esp. Thiago de Araújo Carneiro

 

                     Vários são os estudos que investigam a relação entre o sedentarismo como fator de risco para diversas patologias, bem como a relação de um estilo de vida ativo como fator de proteção a agravos cardiovasculares (BAUMAN e OWEN 1999, BLAIR et al. 2001, KOHL 2001); hipertensão (OSIECKI et al. 1999); câncer (FRIEDENREICH 2001 e THUNE et al. 2001); diabetes (HU 2001), saúde mental (YAFEE et al. 2001) e qualidade de vida (AIDAR et al. 2006).

                    O Método Pilates surge como forma de condicionamento físico interessado em proporcionar bem-estar geral e enorme satisfação ao praticante sendo capaz de proporcionar força, resistência, flexibilidade, boa postura (BLUM, 2002), aumento da auto-estima, controle motor, consciência e percepção corporal.

                    O Método Pilates Funcional® surgiu após anos de evidencias clinicas com alunos e pacientes de grupos especiais como obesos, diabéticos, gestantes, hipertensos dentre outros, que apresentavam uma dificuldade em encontrar uma atividade que saciasse suas necessidades. O Método Pilates Funcional® consiste primeiramente em uma avaliação física e postural especifica para a prática do método para que posteriormente uma aula individualizada seja montada. O Método consiste, além dos exercícios básicos, intermediários e avançados, uma periodização adaptada do sistema OPT (Optimum Performance Training), e inclusão de exercícios aeróbios dentro de uma mesma aula de Pilates Funcional®. Isso permite ao aluno diabético melhoras ainda mais significativas.

                    É sabido que atualmente várias são as doenças associadas à hipocinesia ou sedentarismo que vem acometendo a população mundial. Neste sentido cada vez mais tem havido uma conscientização da necessidade da prática de alguma atividade física para a prevenção de várias doenças (GOMES 1994; NOVAES et al. 2001).

                   O “diabetes melittus” (DM) está se tornando um grande problema da saúde pública mundial e chama a atenção sobre a necessidade de divulgar informações relativas à prevenção e tratamento para que essa doença não tome proporções alarmantes. Hábitos alimentares e estilo de vida inadequada estão diretamente relacionados com o desenvolvimento de suas patologias associadas.

                   Essa doença encontra associação com patologias como hipertensão arterial, obesidade, cardiopatia isquêmica, infarto do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, úlcera dos pés, retinopatia, nefropatia, neuropatia e problemas nos tendões, que juntamente com os problemas de circulação sangüínea, afetam a amplitude de movimento (ADM) do diabético (PANIZZA, R.M.; VILARTA, R., 2006; GONÇALVES, 2003; FISHER, 2003; BERG, 1986).

                   Mesmo tendo sido desenvolvido para interesses relativos à saúde, o método Pilates em princípio foi disseminado quase que exclusivamente entre atletas e dançarinos com a finalidade de melhorar o desempenho físico. Nos dias atuais, tem se tornado mais popular na reabilitação, orientação e correção postural e no condicionamento físico (SEGAL, 2004), e mais recentemente tem conquistado o interesse do meio acadêmico.

                  Uma série de estudos tem mostrado o crescente interesse de pesquisadores na busca de evidências do método Pilates aplicado em diversos âmbitos. Desde a determinação do custo energético de sessões de Pilates (OLSON et al., 2004), registro da atividade eletromiográfica de músculos envolvidos em seus exercícios específicos (ESCO et al., 2004), comparação entre os seus efeitos sobre a força, flexibilidade e composição corporal aos de um programa de treinamento contra resistência convencional (OTTO et al., 2004), mapeamento de respostas cardiovasculares em alguns de seus exercícios (SCHROEDER et al., 2002), ação sobre o equilíbrio de idosos (HALL et al., 1999), efeitos sobre a dor lombar (GRAVES et al., 2005), até mesmo seus efeitos sobre a velocidade de atletas (SEWRIGHT et al., 2004), capacidade e habilidade de salto em ginastas de elite (HUTCHINSON et al., 1998) e postura de bailarinas (MCMILLAN et al., 1998).

                Ainda assim, há uma enorme lacuna que somente será preenchida com o investimento em novos estudos. Considerando a expansão do método no ambiente fisioterapêutico, do condicionamento físico e do treinamento de atletas, necessário se faz a determinação de meios de melhor controle e do estabelecimento de cargas, caracterização da ação e do envolvimento muscular nos seus diversos exercícios, efeitos de um programa básico, intermediário e avançado sobre parâmetros da aptidão física, atuação sobre desvios posturais, dentre diversos outros.

               Atualmente as pesquisas que abordam o tema Pilates ainda são escassas, mas seus benefícios já são bem discutidos. Abordaremos neste texto a importância do Método Pilates para portadores de diabetes mellitus baseado em seus benefícios específicos.

               Os exercícios de alongamento podem melhorar a qualidade de vida do portador DM. É esperado que com esses exercícios o diabético tenha uma melhor utilização da glicose pelos músculos alongados e conseqüente diminuição da hiperglicemia, visto que a doença afeta tendões, circulação e sensibilidade e, essa razão pode limitar a ADM e reduzir a funcionalidade do diabético. (PANIZZA, R.M.; VILARTA, R., 2006).

                Segundo COLBERG (2003), os exercícios de alongamento são importantes, pois os diabéticos produzem mais produtos finais de glicolização do que os não diabéticos; ou seja, suas moléculas de glicose aderem a várias estruturas do corpo, incluindo a cartilagem e o colágeno, fazendo com que elas endureçam e percam sua flexibilidade normal mais aceleradamente que em pessoas normais. Portanto, os diabéticos são mais propensos a lesões como a tendinite e a capsulite adesiva, que se caracteriza por movimentos dolorosos e limitados do ombro.

                Pacientes diabéticos apresentam complicações no aparelho musculoesquelético, como por exemplo osteopenia, artropatias de Charcot, síndromes do túnel do carpo, periartrites do ombro, dedos em gatilho, síndrome da mão rígida, contratura de Dupuytren, dentre outros. Acredita-se que essas alterações se devam à hiperglicemia crônica e são semelhantes àquelas que acontecem no processo de envelhecimento. Nessas duas situações, encontra- se um aumento nas ligações intermoleculares do colágeno, que passa a apresentar uma cor mais escurecida (amarronzada), aumento na fluorescência, resistência à digestão enzimática e perda da elasticidade (REY et al, 2003).

               As regiões que apresentam maior limitação em diabéticos são as falanges, punhos e os ombros. Acompanhar os índices de flexibilidade e propor exercícios de alongamento, particularmente nas extremidades, em diabéticos, torna-se importante como um dos meios para reduzir os problemas que a falta de flexibilidade pode ocasionar. (PANIZZA, R.M.; VILARTA, R., 2006). Apesar de não existir nenhum estudo com o Método Pilates Funcional comprovando a melhora em todas essas alterações, em nossas evidencias clínicas, observamos que a integração de movimentos de flexibilidade e resistência muscular através do Método Pilates Funcional® apresenta significantes benefícios e melhora dos sintomas em nossos pacientes diabéticos. CAMERON (2004) afirma que o DM afeta os ombros de várias formas e a capsulite adesiva é a mais comum; acometendo 20% dos diabéticos.

                Foi inserido ao Método Pilates Funcional®, manobras para alivio de algias articulares. Uma dessas manobras é a chamada Tração Articular.

               A manobra de Tração Articular consiste em movimentos que aumente o espaço articular de qualquer região do corpo. Ela pode ser realizada com o auxilio de molas e ou manuseio do próprio instrutor. Este aumento de espaço articular promove um alivio imediato das algias articulares, como apresentado  na capsulite adesiva.

               Outro agravante para pacientes diabéticos são as disfunções mecânicas e estruturais. Com o aparecimento de algias articulares o paciente diabético pode apresentar desequilíbrio postural e posteriormente microtraumas. Estes microtraumas podem levar a uma queda dos mecanismos compensatórios normais do corpo com desenvolvimento de disfunção e dor. Contudo, os exercícios do Método Pilates Funcional® visam reestruturar a harmonia postural do paciente diabético para diminuição das algias articulares.

                Nos diabéticos, o treinamento resistido auxilia na diminuição das taxas de açúcar no sangue e também aumenta a absorção celular de insulina. Mesmo em pessoas com histórico favorável a diabetes (obesas, com pressão alta ou com casos de doenças na família), há redução dos riscos. (BALSAMO, S., SIMÃO, R, 2007).

               O exercício resistido é denominado como a capacidade de o músculo gerar força em contrapartida a uma determinada resistência, estando incluídos exercícios com pesos livres, máquinas, peso corporal contra a gravidade, entre outros. Está inserido como parte de qualquer tipo de atividade física, seja ela visando performance, melhoria na qualidade de vida e saúde.( FLECK, S. J., KRAEMER, W. J.2006). O Método Pilates Funcional® utiliza de molas, bandas elásticas, pesos livres, peso corporal contra a gravidade e equipamentos do método para inserir exercícios de resistência ao aluno ou paciente.

                Segundo recomendações do American College Of Sports Medicine e American Heart Association, visando à promoção de saúde, adultos podem se beneficiar dos exercícios de força com a prática de pelo menos duas vezes por semana, sendo realizados de oito a dez exercícios em dias alternados utilizando-se os grandes grupos musculares e realizando entre oito a doze repetições para cada exercício. (HASKELL, W. L.2007). Essas recomendações são exatamente as mesmas oferecidas pelo Método Pilates Funcional® praticado, por exemplo, duas vezes por semana. O ganho de massa muscular resultante do treinamento de força, melhora a absorção da glicose, além do aumento da massa magra e conseqüente controle de peso são benéficos para indivíduos diabéticos. ( SIMÕES, J. A. R.,et al 2002).

               CANCHÉ, K. A. M., GONZÁLEZ, B. C. S, 2005 estudaram a efetividade do exercício de resistência muscular nas taxas de hemoglobina glicosilada, na força muscular e no fortalecimento muscular percebido e manifestações associadas a episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia sobre o controle glicêmico de adultos com diabetes mellitus tipo II. Os resultados mostraram um decréscimo significativo nas taxas de hemoglobina glicosilada além do incremento na força muscular e fortalecimento muscular percebido, podendo assim concluir que os exercícios resistidos são efetivos no controle glicêmico de indivíduos com diabetes tipo II, sendo assim eficiente no controle e tratamento da doença.

              OTTO et al, 2004, realizaram um estudo com sete mulheres que praticavam Método Pilates e sete mulheres que praticava exercícios de resistência duas vezes por semana durante doze semanas. Os exercícios de Pilates foram realizados no aparelho Reformer e os de resistência com pesos livres e máquinas. No final do programa ambos os grupos melhoraram significativamente e a melhoria em ambos os grupos foi praticamente idêntica, demonstrando que exercícios do Método Pilates são suficientes para aumentar a força muscular.

              SATO 2000 apud SIMÕES et al, 2002, relata que para diabéticos os exercícios aeróbicos são mais eficientes no aumento da sensibilidade à insulina do que exercícios resistidos, porém o mesmo autor reafirma que as combinações de ambos são eficazes para a melhoria da sensibilidade a insulina e na resposta de ação da insulina.

              SIGAL et al. 2002 realizaram um estudo que teve com objetivo verificar os benefícios do treinamento aeróbio, resistido e a combinação de ambos em portadores de diabetes mellitus tipo II. A amostra foi composta de 251 adultos no qual os mesmos se subdividiram em quatro grupos: um grupo controle, um grupo de treinamento resistido, e um grupo de treinamento aeróbio e grupo combinado (treinamento resistido e aeróbio). O principal resultado se deu em relação à hemoglobina glicosilada além de melhoras secundarias da composição corporal, lipídios plasmáticos e pressão arterial. Em relação ao grupo controle os que realizaram exercícios combinado obtiveram uma melhoria de 51%. Os que realizaram treinamento aeróbio e resistido isoladamente, uma melhoria de 38%. O grupo de exercícios combinados obteve uma melhoria de 46% em relação ao grupo aeróbico e 59% em relação ao grupo resistido.Concluíram dessa forma que tanto os exercícios aeróbicos com os resistidos treinados isoladamente são importantes para diabéticos, porém a combinação de ambos é possível obter um melhor resultado. Por isso o Método Pilates Funcional®, aperfeiçoa a técnica Pilates mudando o conceito de exercícios padronizados sem a inclusão de outras técnicas, agregando a sistematização de treinamento resistido a movimentos aeróbios numa mesma aula, com um trabalho em circuito. Isso faz com que se potencialize a melhora nos resultados para pacientes diabéticos.

                   MAIORAMA  et al 2002, realizaram um estudo de oito semanas de treinamento de circuito que combinavam exercícios aeróbios e resistidos em 16 indivíduos portadores de Diabetes Mellitus tipo II. Após as oito semanas foi verificado um aumento no limiar ventilatório bem com a força muscular e diminuição da porcentagem de gordura corporal. Além dessas variáveis foi verificada uma diminuição significativa dos níveis de glicemia, bem como os níveis de hemoglobina glicosilada. Concluiu-se que o treinamento em circuito melhora a capacidade funcional, massa magra e força, além de obter um controle glicêmico e de hemoglobina glicosilada, sendo assim um treinamento eficiente no controle e tratamento do diabetes mellitus tipo II.

                  GALLAGHER e KRYZANOWASKA, 2000 afirmam que o Método Pilates ajuda a manter um peso corporal normal, ou se combinado com redução moderada de ingestão calórica, permite redução de peso.

                  OLSON et al, 2005, realizaram um estudo  para determinar o gasto energético nos exercícios de Mat Pilates, ou seja exercícios de solo, nos níveis básico, intermediário e avançado. Os exercícios básicos apresentaram um gasto calórico de 4,0 kcal/minuto; intensidade semelhante à ginástica ou alongamento dinâmico. Os exercícios intermediários apresentaram um gasto calórico de 6,0 kcal/minuto, comparáveis aos exercícios de baixo impacto ou hatha yoga. E os exercícios avançados apresentaram um gasto calórico de 7,5 kcal/minuto comparados a Power Yoga e exercícios abdominais.

                 OLSON et al, 2005 concluíram que exercícios de Mat Pilates podem proporcionar um estímulo cardíaco moderado similar a caminhada, quando executadas em um  nível intermediário ou avançado.  

                  Um estudo anterior sobre consumo de energia demonstrou que o gasto energético variava com o com nível de habilidade do aluno na execução dos exercícios de Mat Pilates. A energia média gasta em 13 exercícios de Mat Pilates durante uma aula de 30-45 minutos foi: treino iniciante 12,3 ml / kg / minuto; treino intermediário, 17,2 ml / kg / minuto; treino avançado, 21,4 ml / kg / minuto (OLSON et al ., 2004). Certos exercícios de Mat Pilates conhecidos como Boomerang, Jackknife e Roll-Over, mostraram um gasto de energia bem acima da média de exercícios intermediários e avançados. Exercícios como o Twist Sentado, Saw e The Hundred, apresentaram gastos de energia abaixo da média (OLSON et al., 2004).

                Sabe-se também que o diabetes, obesidade mórbida, imobilidade, alterações da cognição, medicação (diuréticos), constipação, deficiência estrogênica, acidente vascular cerebral, Doença de Parkinson e atividades físicas de alto impacto são uma das causas mais comuns da Incontinência Urinária (IU). A incontinência ocorre quando o estoque e o esvaziamento da urina na bexiga não funcionam de maneira coordenada. Esta falta de coordenação entre os processos de estoque e esvaziamento é devido a um mau funcionamento dos nervos e músculos da bexiga ou uretra. Em mulheres, a incontinência pode também ser causada por uma perda de suporte da bexiga e uretra. Já a Sociedade Internacional de Incontinência define a incontinência como a condição na qual a perda involuntária de urina é um problema social ou higiênico e é objetivamente demonstrada (FELDNER 2002; ABRÃO 2001; REIS 2003). A IU é muitas vezes erroneamente interpretada como parte natural do envelhecimento. Alterações que comprometem o convívio social como vergonha, depressão e isolamento, freqüentemente fazem parte do quadro clínico, causando grande transtorno aos pacientes e familiares (REIS, 2003). O Método Pilates auxilia no alinhamento postural, fortalece o abdome (centro de força) e o assoalho pélvico (GRAIG, 2004); podendo atenuar a IU.

                 Apesar de ainda não existir na literatura estudos específicos do Método Pilates aplicados ao indivíduo portador de diabetes mellitus, e isso mostra o grande campo científico que o Método Pilates ainda pode nos oferecer em relação aos diversos assuntos que nos cercam, é fato que o Método Pilates apresenta inúmeros benefícios para qualquer indivíduo, sendo ele patológico ou não.

                 Portanto, aplicar o método Pilates no tratamento do diabetes mellitus, é sem sombra de dúvidas uma boa opção.